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Febre e manchas vermelhas no corpo - o que pode ser?

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18 DE fevereiro DE 2015 - 00:00

Imaginem a seguinte situação: seu bebê começa com um resfriado, logo vem a febre, que dura três, quatro dias e de repente… manchas vermelhas por todo o corpo! Alguém se reconhece na cena? Claro, né?! Essa é uma situação comum nos consultórios, vivida por mães de crianças até a adolescência, e que gera muita insegurança e dúvida. 

 

São as famosas Doenças Exantemáticas.

Exantema é o aparecimento de manchas vermelhas na pele, que nesse caso ocorre após uma infecção viral ou bacteriana, e pode ser disseminado ou localizado, pruriginoso ou não, em forma de pápulas (como picadas de insetos), manchas ou lesões bem pequenas, puntiformes. 

 

Hoje vou falar um pouquinho sobre algumas das doenças exantemáticas mais comuns na infância.  

 

Exantema Súbito

É também conhecido como roséola, febre de três dias, pseudo-rubéola ou sexta moléstia. Raro nos primeiros meses de vida, provavelmente pela proteção dos anticorpos maternos. acomete crianças entre 6 meses e 2 anos de idade. Transmitido por secreções orais e causada pelo herpevírus humano 6 (HHV-6). 

O início é súbito, com febre alta (39°-40°C) e extrema irritabilidade, em contraste com o bom estado geral; este quadro é acompanhado, em alguns casos, de sintomas ou sinais de comprometimento respiratório (tosse, coriza e/ou pneumonite) ou gastrintestinal (diarréia, dor abdominal). Após três a cinco dias há melhora brusca da febre e o aparecimento das manchinhas vermelhas no corpo, com sensível melhora do humor. O que se destaca neste caso, é o aparecimento de gânglios cervicais e/ou retroauriculares, hiperemia de orofaringe e edema palpebral. O diagnóstico é clínico na maioria dos casos e o tratamento deve-se restringir ao uso de medidas de suporte e de medicação sintomática (antitérmico), bem como à vigilância das complicações.

 

Enteroviroses não-pólio
São bastante comuns na infância, responsáveis por quadros clínicos algumas vezes significantes, acometem principalmente crianças de pouca idade.
Esses agentes podem levar ao aparecimento de surtos epidêmicos ou verdadeiras epidemias. Quem nunca enfrentou um surto de diarréia na escolinha ou creche de seu filho(a)? Transmitidas via fecal-oral ou respiratória. Os enterovírus não-pólio incluem os Coxsackie A e B, Echovirus e Enterovirus. A maioria dos pacientes apresenta infecções benignas, muitas delas assintomáticas ou com manifestações inespecíficas, tais como febre isolada, quadros exantemáticos, acometimento de diversos órgãos e sistemas, principalmente aparelho respiratório e trato gastrintestinal.

Ocasionalmente ocorrem síndromes clínicas características, como:

Síndrome mão-pé-boca :

causada pelo vírus Coxsackie, acomete principalmente crianças abaixo de 5 anos de idade, apresenta febre de intensidade variável, porém alguns casos podem ocorrer sem febre.

Habitualmente é acompanhada de estomatite (aftas na garganta) e gânglios cervicais. Surgem a seguir, em pés e mãos, lesões vesiculosas (como pequenas bolhas) branco-acinzentadas com base avermelhada, não pruriginosas e não dolorosas. Daí o nome “doença da mão – pé – boca”. As lesões podem aparecer também na área da fralda. Tem duração entre 5 e 7 dias.

Herpangina

causada pelo vírus Coxsackie A e B e Echovirus, em geral se manifesta abruptamente com febre alta (cerca de 40°C), dificuldade para engolir, falta de apetite, vômitos, diarreia, secreção abundante de saliva e dor de garganta. O período febril dura entre um e cinco dias e neste tempo surgem na faringe e na cavidade oral várias aftas. Os gânglios do pescoço também aumentam de volume e se tornam doloridos. Essa é uma das infecções com a qual temos que ser mais pacientes e empáticos com as crianças pois além de dolorosa é muito incômoda! A criança fica “chatinha” pois tem febre alta, fica indisposta, tem falta de apetite, não quer comer, tem muita dor de garganta (algumas babam muito pois não conseguem engolir a própria saliva!). Nessa hora é natural as mães se desesperarem, mas lembrem-se! Entendam suas crianças! Calma! Dêem suporte a elas! Passará em alguns dias!! 

Outras síndromes que podem ocorrer são: diarréias, faringite aguda, conjuntivite aguda, entre outras.

Da mesma forma, o diagnóstico das enteroviroses é clínico e para seu tratamento indica-se somente a administração de sintomáticos e medidas de suporte.

 

Dengue

Pode acometer qualquer idade.

Causada pelo arbovírus dengue, apresenta amplo espectro clínico, com destaque para duas formas clínicas principais: a febre clássica do dengue e a febre hemorrágica. Transmitida pela picada de mosquitos hematofágos do gênero Aedes, principalmente o Aedes aegypti. A clínica é ampla, variando desde formas assintomáticas, quadros febris indiferenciados e febre clássica do dengue, até formas graves com hemorragia, que podem evoluir ou não com choque. A forma clássica é mais freqüente em escolares, adolescentes e adultos e se caracteriza clinicamente por síndrome febril aguda, de início súbito, com febre alta, cefaléia, hiperemia conjuntival, dores no corpo, dor atrás dos olhos, dor articular e exantema. Podem ocorrer  sangramentos (gengiva, nariz, urina), mais freqüentes em adultos e que são de leve intensidade. A infecção em geral evolui bem, com duração de quatro a sete dias, podendo no entanto persistir a fadiga. Já os lactentes e os pré-escolares podem apresentar quadro febril inespecífico, acompanhado ou não de exantema. No dengue clássico o exantema, em 30% dos casos, surge após o declínio da febre, inicia-se no tronco e dissemina-se posteriormente, podendo acometer a região palmo-plantar acompanhado de prurido, mais intenso na fase de convalescença. O diagnóstico é clínico (exame físico e prova do laço) e laboratorial (hemograma e sorologia). Não há tratamento específico para o dengue, estabelecendo-se portanto apenas as medidas de suporte para a preservação das funções vitais do paciente.

 

Eritema Infeccioso

Também conhecida como Quinta Doença, pode acometer as crianças dos 2 anos aos 14 anos.  Causada pelo parvovírus humano B19, é transmitida pela via respiratória principalmente em comunidades fechadas (creches, escolas) e entre pessoas da mesma família, onde a taxa de ataque de infecção pode atingir 50% entre os susceptíveis. O exantema é a apresentação clássica da infecção e em geral não se acompanha de manifestações sistêmicas. No entanto, alguns pacientes podem referir febrícula, dor no corpo, dor de cabeça, náuseas, mal-estar precedendo o "rash" cutâneo, considerados pródromos e correspondentes à fase virêmica. Nos casos típicos da doença o exantema inicia-se pela face sob a forma de eritema difuso, com distribuição em “fácies esbofeteada”, com edema e vermelhidão de bochechas, as outras regiões da face, como o queixo e a região perioral, são poupadas. O diagnóstico se baseia nas características clínicas. Não há tratamento específico, sendo raros os casos que necessitam de medicação sintomática, restrita aos analgésicos, principalmente em adultos com artralgias ou mialgias.

 

Escarlatina

Depois de tanto falar de vírus, enfim uma doença causada por bactéria e que tem tratamento específico! 

A escarlatina, em sua maioria, tem como causa uma das várias toxinas produzidas pelo Streptococcus b-hemolítico do grupo A de Lancefield (o mesmo que preferencialmente causa as famosas amigdalites). Os Streptococcus dos outros grupos, especificamente dos grupos C e G, também podem ser causa de escarlatina. A doença é mais freqüentemente associada com faringite estreptocócica, podendo, em situações mais raras, acompanhar quadros de lesões infectadas de pele. Incide principalmente em crianças pré-escolares e escolares, sendo rara em lactentes; este fato decorre de possível persistência de anticorpos maternos protetores nessa faixa etária, ou ainda de imaturidade imunológica. É transmitida principalmente de uma pessoa para outra ou de um determinado local do organismo para outro. As manifestações clínicas iniciam-se de forma abrupta, com febre alta, dor de garganta, faringite, gânglios cervicais e submandibulares, podendo ocorrer vômitos e cefaléia. Este período dura cerca de 12 a 48 horas, quando surge o exantema. O exantema é difuso, vermelho intenso que clareia à dígito-pressão, dando a sensação de lixa ao toque. Inicia-se na região torácica, com rápida disseminação para o tronco, pescoço e membros, poupando as palmas das mãos e plantas dos pés. Acompanha-se de alguns sinais característicos:
palidez perioral, língua em framboesa após o terceiro dia, petéquias nas dobras articulares, descamação de pele após cinco a sete dias do princípio do quadro. As manifestações características da escarlatina fazem com que o diagnóstico seja estabelecido, na maior parte dos casos, com base nos achados clínicos. O tratamento é feito com antibióticos.

 

Bom, mãezinhas, mas não se esqueçam, SEMPRE PROCUREM AVALIAÇÃO DO PEDIATRA ! É muito importante que seus bebês sejam sempre avaliados por bons profissionais e bem acompanhados!

 

Boa semana!

Beijinhos ;-)

Dra Andresa

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