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Amamentação - uma vitória!

amamentação | pediatria | fisiologia | mama

17 DE fevereiro DE 2015 - 00:00

Na prática de consultório, noto que poucas mulheres têm a sorte de enfrentar a amamentação como algo “natural”, sem a necessidade de nenhuma ajuda para o sucesso completo. E não digo que isso é uma adversidade da vida moderna; há relatos que em 1982, no Quênia, muitas mulheres usavam alimentação artificial precocemente (leite de vaca, leites artificiais, cereais diluídos, água com açúcar ou mesmo apenas água).

 

O que acontece então??

 

Vamos nos lembrar da anatomia e fisiologia das mamas, como tudo funciona?!

A mama na gravidez é preparada para a lactação sob a ação de diferentes hormônios; estrogênio (responsável pela ramificação dos ductos lactíferos), progestogênio (responsável pela formação dos lóbulos), prolactina (responsável pela secreçāo do leite materno). Apesar da secreção da prolactina estar muito elevada na gestação, a mama não secreta leite pois existe um outro hormônio produzido pela placenta que inibe sua ação, o lactogênio placentário. Com o nascimento do bebê e a expulsão da placenta, os níveis sanguíneos desse hormônio e progestogênios maternos caem e consequentemente há a liberação da prolactina, que estimula a produção do leite, e da ocitocina durante a sucção, que será responsável pela expulsão do leite.

 

A “descida” do leite costuma ocorrer no terceiro ou quarto dia, acontecendo mais rapidamente nos partos normais e um pouquinho mais demorada nos partos cesarianos e ocorre MESMO SEM A SUCÇÃO DA CRIANÇA AO SEIO. A secreção do leite aumenta menos de 100 ml/dia no inicio da lactação para aproximadamente 600 ml no quarto dia, e o volume produzido na lactação já estabelecida varia de acordo com a demanda da criança, sendo em media 850 ml ao dia. Em geral, A CAPACIDADE DE PRODUÇÃO DE LEITE DA MÃE É MAIOR QUE A DEMANDA DE SEU FILHO.

 

Esse é o primeiro estresse enfrentado pelas mãezinhas! Uma conjunção de fatores o favorecem: 

  1. nos primeiros 10 dias é normal o bebê perder até 10% do peso de nascimento;
  2. a desinformação quanto a fisiologia da mama;
  3. as rotinas hospitalares em muitas maternidade favorecem a introdução precoce de suplementos ou o desmame;
  4. muitas mãezinhas não têm a mama totalmente preparada logo ao nascimento e enfrentam dores, rachaduras, e não estão treinadas para a técnica adequada da amamentação (só faltava essa! Ainda por cima precisa de técnica para amamentar?! SIM!!! Veja figuras abaixo!) 

 

Portanto surgem as dúvidas: “Meu leite não vai descer nunca?” “Preciso iniciar o complemento logo? Meu bebê está perdendo peso!” 

Nesse momento é muito importante ter CALMA, PACIÊNCIA e PERSISTÊNCIA! Procurar SEMPRE apoio e ajuda de seu pediatra, obstetra, enfermeiros,seus familiares, bancos de leite, se orientar e lembrar-se que essa fase irá passar! Com técnica, calma e persistência!

 

Vamos continuar na fisiologia da mama…  Após a descida do leite entramos na fase de galactopoiese, que persiste por toda a lactação.  Nessa fase a tal “técnica e calma” são  IMPRESCINDÍVEIS! Pois aqui a lactação depende primordialmente da sucção do bebê e do esvaziamento da mama. QUALQUER FATOR QUE LIMITE O ESVAZIAMENTO DAS MAMAS PODE DIMINUIR A PRODUÇÃO DO LEITE!

Mamadas muito curtas, o não esvaziamento completo das mamas, deixar o bebê dormir nas mamas e encurtar o período de tempo entre as mamadas, o famoso “ficar chupetando”, colocar o bebê para mamar ao som de qualquer choro ou resmungo antes mesmo de diferenciá-los de fome, TUDO ISSO ATRAPALHA O ALEITAMENTO POR DIMINUIR A PRODUÇÃO! Além disso, a concentração de gordura no leite (consequentemente o teor energético) aumenta no decorrer de uma mesma mamada. Assim, no fim dela há mais gordura, o leite “sustenta mais”. Então cria-se um círculo vicioso… O bebê mama pouco e rapidinho, estimula pouco a mama e a produção de mais leite, mama um leite com pouca gordura, fica pouco satisfeito e não esvaziou completamente a mama (o que também prejudica a produção do leite!). Rapidinho ele acorda com fome (imagina se você comesse alface o dia todo! Iria comer toda hora, né?!) e repete todo o ciclo acima… e assim a produção do seu leite vai diminuindo! 

 

Com tudo isso acontecendo entramos em outro entrave, com diversas e curtas mamadas, um bebê sempre requisitando a mãe, esta inicia uma nova fase de estresse! A liberação de ocitocina pode ser inibida por fatores como dor, desconforto, estresse, ansiedade, medo, insegurança, falta de confiança, refletindo na inibição da ejeção do leite e prejudicando a lactação. Por outro lado, sua liberação, provocada pelo estímulo da sucção, também ocorre em resposta a estímulos condicionais, tais como visão, cheiro, choro da criança, fatores emocionais como motivação, autoconfiança e tranquilidade.

 

Portanto, mãezinhas, não se esqueçam:

  1. Amamentar exige técnica! Pegue firme com ela!
  2. Tenha sempre muita calma e paciência!
  3. Busque apoio com seu pediatra, obstetra, familiares e pessoas queridas!
  4. Mantenha sempre um ambiente tranquilo na hora da amamentação!
  5. INFORME-SE COM SEU MÉDICO antes de tomar qualquer atitude! Na maioria das vezes o que nos traz ansiedade e achamos que está errado é apenas uma fase de adaptação normal!

 

Boa semana a todas e boas mamadas!!

 

Beijinhos

 

Dra Andresa

 

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